Por onde começar, se não existe um começo?
Os sentimentos diários e extremos que invadem a minha alma, me fazem sentir esquisita e ao mesmo tempo indecifrável. Era mais uma madrugada solitária, cheia de pensamentos também solitários porém atônitos. É que na verdade a linha tênue que une o que chamo de "puro" e o que chamo de "doloroso" sempre corrompeu o meu mais profundo eu. Um eu solitário, vazio e triste. De fato acabei percebendo que sempre procuro maneiras de não me magoar, que alguém não me magoe, que aquilo não seja ofensivo a mim, e que eu, de alguma forma esteja sempre em uma zona intocável. Sentimentalmente falando, claro. Procuro um sentido inexistente em todos os atos alheios, e como boa preservadora que sou, algo que sempre me favoreça. Percebi também que se tudo isso fora verdade, eu seria então uma pessoa egoísta. Mas por Deus, eu não sou! Me preocupo com os outros, e tento ao máximo preservá-los também dos meus crimes sentimentais que já cometi e ainda cometo. E pra ser categórica, percebi também que até em matéria de escrever, eu acabo por vezes sendo egoísta. Escrevo o que me favorece. Então será assim? Não serei capaz de adquirir humildade necessária para admitir minhas derrotas pessoais? Perder é tão simples quanto ganhar. E não se ganha todo dia e não se perde todo dia. Tudo o que aconteceu hoje, já aconteceu anteriormente e poderá acontecer novamente. Acho que meu medo é ser a única, medo de que tudo que acontece comigo seja único e meio ridículo. Quão dolorosa é a sina de pensar assim, quantas maneiras de inventar saídas para o que simplesmente era apenas aceitar as derrotas sem brigar. É porque eu também não sei amar. Obviamente penso que amo e isso se transforma no que eu quero, e o que eu quero na verdade eu ainda não sei. Porque não se pode amar o que não sabe e nem compreender o incompreensível. É assim: - Eu aceito! Eu perdi! Eu não te culpo pelos meus fracassos e nem te culpo por não me amar. Certa vez eu também não consegui amar quem me amava e isso não doeu. Não dói em você, e eu não posso fazer doer. E muito menos querer que doa. É seu, é meu, é nosso. Nosso modo de buscar sustentações nessa imensidão de sentimentos que vivem em conflito mutuo. Eu te deixo ir, você me deixa ir. E por mais que doa, sabemos que só doi por um tempo.
Luíza G. Zacarias
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