Mãe,
Os dias não passam, as horas são eternas e o tic tac do relógio além de ser extremamente irritante, parece lembrar a sua ausência a cada segundo que passa. O mundo ficou cinza. E o pior, um cinza constante. O mundo não tem a mesma graça, e Deus na sua infinita bondade está tentando me mostrar algo que ainda não entendi. E sendo bem sincera, não sei se um dia vou entender. O que será que Ele está querendo me lembrar? O que será que Ele está querendo me provar? Lá vem, mais uma das minhas inúmeras perguntas sem resposta. Ando me acostumando com isso.
Será que era preciso explicar pra ele, que poderia fazer o que quisesse de mim... Mas você? Você não! Você é aquela pessoa que nunca deverá sair do meu lado. Não existe eu sem você, literalmente falando. Estar sem você, é um insulto as minhas crenças.
Quando eu era criança, digo no sentido de ter pouca idade (porque eu ainda não cresci). Você me ensinou o que é ser uma pessoa. Sim, porque naquela idade a minha personalidade era moldável e eu precisava como ainda preciso, de referencias para seguir. O convívio humano é perturbante. Vivo em constante sintonia com aqueles que me cercam, e como não se influenciar? Hoje eu diria: Ninguém é influenciável. Apenas agimos de acordo com as nossas vontades. Porém, estou falando de mim. Comparar eu com os outros é uma atitude irracional. Continuei... e você estava lá. Atenta a todas as minhas palavras e ao meu crescimento. Você me ensinou a buscar ser uma pessoa melhor. Me ensinou o que é amar, o que é perdoar e ajudar sem atrapalhar. Porque se o o contrário acontecer, a minha presença torna-se perfeitamente dispensável.
E agora? O que fazer com os dias que parecem anos? Sabe mãe, você sempre pensou que eu não ouvia seus conselhos, mas cada palavra sua soa mais alto que essas baterias de escolas de samba. Você não imagina! Quem vai mandar eu desligar o computador ou então largar o celular porque já está tarde? Quem vai me chamar de ‘gata’ quando eu estiver completamente irritada e assim, conseguir arrancar o meu sorriso e fazer a raiva passar? Quem vai me criticar na frente dos meus amigos e me deixar constrangida? É, você é professora nesse assunto! Ou então, falar que eu faço muito café e não tomo nada, e isso é um grande desperdício.
Ah mãe, nunca valorizei as coisas depois que as perdia. Você não me ensinou isso.
Você me ensinou antes, muito antes, a valorizar o que eu tenho. Simples.
Se eu tento ser forte, se eu tempo suportar a sua ausência, eu devo tudo isso a você. Devo a você a busca de ser uma pessoa melhor, devo a você o fato de aprender a assumir minhas responsabilidades, devo a você um sorriso a um estranho na rua, porque você me ensinou que ser cordial com os meus semelhantes é primordial pra minha vida. E eu gostei. Devo a você, o meu olhar amoroso a uma planta, a um animal, porque assim como eu, eles se machucam, sentem dor e precisam de carinho também.
Aprendi tudo isso, e ainda falta muito... O que talvez você não saiba, é que a única coisa que não vou aprender, é seguir a vida sem você.
Vem cá, deixa eu chorar no seu ombro de novo, quando mais uma vez o meu drama aparecer. Manda eu tirar aquela mesma música que você não agüenta mais ouvir. Fala que eu preciso emagrecer porque ando comendo demais. Mas fala! Fala qualquer coisa que faça eu ao menos escutar sua voz. Pode brigar comigo também, eu me importo.
Mas se não quiser falar, apenas esteja aqui comigo. A sua presença é o suficiente para o sol voltar a aparecer e dias se tornarem coloridos. E se meus olhos se encherem de lagrimas e eu não conseguir falar, apenas me entenda. Não estou mais em orbita, ando vagando no espaço, e espero que a gravidade volte apenas quando você já estiver lá em casa, me esperando.
Luíza Zacarias
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